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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

UM FILÓSOFO (F. Nietzsche)







“Um filósofo: é um homem que continuamente vê, vive, ouve, suspeita, espera e sonha coisas extraordinárias; que é colhido por seus próprios pensamentos, como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, constituindo a sua espécie de acontecimentos e coriscos; que é talvez ele próprio um temporal, caminhando prenhe de novos raios; um homem fatal, em torno do qual há sempre murmúrio, bramido, rompimento, inquietude. 


Um filósofo: oh, um ser que tantas vezes foge de si, que muitas vezes tem medo de si – mas é sempre curioso demais para não “voltar a si”...” (JBM/BM §292).


 [Friedrich Nietzsche]









quarta-feira, 31 de março de 2010

Corrupção em Portugal? Existe?! Quem diria...

Cravinho
Corrupção política "é o problema mais grave que o país enfrenta"

O ex-ministro João Cravinho afirmou hoje que a "corrupção política é o problema mais grave que o país enfrenta" e lamentou a inexistência de uma estratégia formal do Governo para combater o fenómeno.

O ex-ministro João Cravinho afirmou hoje que a "corrupção política é o problema mais grave que o país enfrenta" e lamentou a inexistência de uma estratégia formal do Governo para combater o fenómeno.

"A corrupção política é o problema mais grave que o país enfrenta, o principal problema do país ao nível da corrupção", disse João Cravinho, durante uma intervenção na comissão parlamentar para o acompanhamento do fenómeno.

Reconhecendo não encontrar ninguém que, além de si, publicamente defenda esta ideia, o antigo deputado socialista, autor de um pacote contra a corrupção apresentado em 2006 e que foi rejeitado pela sua própria bancada, foi ainda um pouco mais longe, acrescentando que "o tráfico de influências é a maior manifestação de corrupção política".

"A corrupção política está à solta", frisou, sem, contudo, deixar elogios ao trabalho que está a ser desenvolvido pelo presidente do Tribunal de Contas, Guilherme de Oliveira Martins, ao nível da corrupção administrativa.

Na sua longa intervenção inicial, que se prolongou por quase uma hora e meia, João Cravinho defendeu também a necessidade da Assembleia da República assumir "um papel chave" na luta contra a corrupção e lamentou a inexistência de uma "estratégia formal" do Governo para combater o fenómeno.

"Não existe", lamentou, considerando que sem essa estratégia equivale a "andar a tentar vazar o oceano da corrupção com a selha rota".

Antes, o ex-ministro socialista já tinha notado a necessidade de "despartidarizar a administração pública", classificando esta medida como "a pedra das pedras" de uma lei quadro da transparência que deveria ser criada.

Ou seja, explicou, todos os titulares de cargos da administração pública devem ser escolhidos unicamente pelo seu "mérito e competência profissional", à excepção de alguns altos cargos já previstos na lei, como os que prestam serviço nos órgãos de apoio à Presidência da República.

"E todos são todos", insistiu, considerando esta reforma como "muita complexa, mas perfeitamente possível".

A realidade é que constituem-se ligações que têm em muitos casos um carácter de manifestação de redes de interesses", acrescentou.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ó crise volta para trás...

Tenho para mim como certo que navegamos à deriva. Sem qualquer rumo, à toa, a descoordenados impulsos que se sucedem - porque tem que ser - sem objectivos, sem alma, sem norte. Portugal está, faz que anda, parece que se governa, segue atabalhoadamente, entre outros, um caminho que em nada difere dos que a história mais recente nos revela; vamos existindo, fazendo de conta, e de declínio em declínio, de insucesso em insucesso, numa continuada marcha acompanhada de canticos de mediocridade e de inépcia.
Pior que a crise, só mesmo depois da crise - isso dizia eu há algum tempo atrás. Quase profeticamente (antes não fosse assim). E, de facto, depois de terem anunciado com pompa e circunstancia que Portugal, espectacularmente, se apresentava campeão entre os demais, sendo dos primeiros a sair da crise, eis que se anunciam medidas de austeridade, sacrificios redobrados, contenção, iniciativas essas necessárias, segundo os magos da governação, para a estabilidade do país e de um quimérico crescimento que desde sempre se promete.
Estranho no mínimo. Depois da crise esperava-se a bonança, bons ventos, renovadas esperanças, que em linguagem económica ou financeira se traduziria em certificada expansão, novas e pujantes empresas, crescimento das transacções, mais emprego, mais produção, maior liquidez, um sentir de alívio nos diversos sectores da economia real, e afinal, mais tranquilidade nas gentes e prosperidade nas familias.
Mas, para nosso desespero, tudo parece apresentar-se em sentido rigorosamente contrário. Violando os mais basilares princípios que inculcámos no nosso interior e que decorrem da experiencia de vida e dos conhecimentos que assimilámos e que parecem sustentar as ciências da vida das nações. O desemprego cresce ou mantêm, ou mantêm e cresce, depois da crise esperávamos que diminuísse. Nunca tal ocorreu nem se perspectiva que suceda nos próximos tempos. As empresas continuam a encerrar, a não pagar salários, a perecer. Tudo nos levava a crer que depois da crise novas empresas se instalássem e as existentes se expandissem. E não faltasse dinheiro para pagar aos que trabalham. Os salários da Função Pública são congelados, durante quatro anos não vão crescer. Essa medida que parece ser crítica e excepcional, depois da crise é implementada esperando o governo que se estenda a todos, tanto aos públicos como aos privados. Sobem os impostos. Mesmo quando ainda há poucos dias atrás era garantido que estes não subiriam em face de uma crise que se tinha ultrapassado e um futuro que se prometia. As prestações sociais diminuem ou diminui o seu alcance e procura-se agora, a todo o custo, privatizar as empresas do Estado.
É um mundo de loucos. Podemos mesmo sustentar que tivemos uma crise simpática, meiga, romantica, compreensiva, que terminou com um golpe de pouca sensibilidade de um governo e sem que o pagante tivesse dado conta, mergulhando o povo, os sem nada, os da clase média, os que trabalham, os que ainda fazem qualquer coisinha, num pós-crise, que em boa verdade, ninguém entende.
Magia, pura magia, dirão alguns. Que pensarão que somos governados a toque de varinha mágica e que estamos inundados de um irrealismo, polvilhado de bruxarias, e poções milagrosas. Entre governos e desgovernos que já ninguém entende, crises amistosas, e agoniados períodos de estabilidade, já pouco podemos esperar de um futuro que cada vez mais parece se afastar de nós. E sem esperança num dia vindouro que pode pedir-se a alguém? Pouca coisa é de esperar, creio.
No meio de toda esta confusão seguramente vamos ter muitas saudades da dita crise, que se foi sem que as pessoas tivessem percebido, em bom rigor, quando. Muitos não deixarão de sonhar com ela, com o seu regresso, e preparam-se para lhe dar vivas. Afinal de contas parece que o que está a dar é viver em crise. Somos especialistas nelas. Não sabemos já viver sem elas. De modo nenhum.
Desejando a crise, como forma de colocar um ponto final neste tempo que parecia ser de serenidade e acalmia, seguimos esperançosos que os velhos tempos regressem. Em que os bons e sábios governantes prometiam o fim da crise, tomavam medidas e mais medidas, pareciam trabalhar e construir. Só que, ao contrário de antes, seria bom que não construíssem, nem fizessem, apenas fossem prometendo, e não cumprindo, de modo tal, que paulatinamente, poderiamos perpetuar a bendita crise de que já temos saudades. Venha ela. Viva a crise... volta, volta, por favor, atrás.

sábado, 6 de março de 2010

Trapalhadas... impossível viver sem elas

Ainda às voltas com as habilitações de Sócrates...
meu Deus... como se pode viver com tanta dúvida?





Confesso que já tinha esquecido esse caso. Talvez não tenha sido bem esquecido, mas a palavra correcta deveria ter sido perdido, dado que mais parece ser um caso de perdição entre tantas coisinhas que agitam por cá o burgo, que na verdade, um mero esquecimento.

Afinal se o nosso Primeiro é ou não engenheiro é coisa que já não vai interessando a ninguém. Que seja. Só temos pena de tanta dinheiro que se gasta nas Novas oportunidades e outras modernices para dar canudos a quem nada faz para os merecer, ignorando outros processos, bem como de aligeirar ou democratizar a sabedoria alargando métodos já conhecidos a tantos que aspiram por um dia serem, em bom rigor, quer doutores ou engenheiros.

Num país onde não ter canudo é ser pior que burro, tudo é válido para obter o dito, mais agora que lá de fora levam os dias a espreitar para dentro de nossa casa, como se tivessem alguma coisa a ver com a nossa vida.

Voltando atrás, confesso que esqueci durante algum tempo toda essa tragédia cómica do título académico do nosso Primeiro, não fora ter recebido um novo email levantando mais poeira sobre algo que já toda a gente percebeu que nada tem de cristalino, que é a da certeza ou incerteza da autenticidade do documento ou dos documentos que por aí grassam.

A ver vamos... copio e aqui coloco o que recebi por comodidade, mais que por dever à ciência e ao rigor, que em boa verdade só invejo nestas historietas todas, nunca me terem dado a oportunidade de fazer exames na comodidade da minha casa, e quando queria, que desse modo, em igualdade de oportunidades reais, creio, teria terminado o meu curso superior que a minha pouca esperteza me levou a tentar fazer a mais de 200 quilometros de casa, e numa Universidade, dizem, pouco permeável a modernidades.

Aqui vai...


"Ontem, ao anunciarem a existência de um segundo certificado de José
Sócrates, abri o respectivo PDF, entretanto disponibilizado pelo Jornal
PÚBLICO".
Não me detive nas classificações. Verifiquei que o documento estava datado
( 96/08/26), assinado pelo chefe da secretaria e...e... como sempre, os meus
olhos detiveram-se em dois pormenores sem importância: no papel timbrado da
Universidade Independente, no rodapé, entre outras informações, constam o
endereço (físico e electrónico) e os números de telefone e de fax ( 351 21
836 19 00 e 351 21 836 19 22). Só que,... em 1996, os números de telefone
não apresentavam os indicativos 21, 22, 290, mas sim, 01, 02, 090... etc,
como aliás, pude confirmar (a alteração só foi feita em 31 de Outubro de
1999).
Um pouco mais à frente, consta ainda, um código postal composto por sete
algarismos (1800-255), o que é deveras estranho, uma vez que só em 1998
começa a ser utilizada esta nova forma de indicação.
Conclusão: o certificado parece ter sido emitido, não em 26/08/1996, mas em
data posterior a 31 de Outubro de 1999.O problema ("o maior dos problemas")
reside no facto de o Gabinete do Primeiro-Ministro já ter esclarecido que a
data válida era mesmo a do certificado que se encontra na Câmara da Covilhã.
Esta ultrapassou largamente as minhas expectativas...de tão básica que é!!!
"

Bem, em boa verdade, se antes sentia alguma confusão no caso, agora sinto-me completamente a leste. Nada sei. Não comento. Nem sei se tenho ou não, dúvidas, certezas, se aposto ou não na certeza ou na incerteza dos documentos que deveriam ser ou não rigorosos. Nada sei. Nem devo comentar. A cautela, e os caldos de galinha, só podem fazer bem, se me quedar alguns dias bem caladinho, preferivelmente sem falar, sem ouvir, sem ler, sem pensar.

Só assim podemos estar certos de alguma coisa! Pensar para quê?

Momentos... a vida é feita deles!

Pensamentos para o Dia


"Se tiver de dar ensinamentos, instruções ou correcções, sempre o faça com muito amor e sem nenhum traço de raiva."

"Carinho é quando a gente não encontra nenhuma palavra para expressar o que sente e fala com as mãos, colocando o afago em cada dedo!"