sexta-feira, 3 de junho de 2016

AQUELA GENTE NÃO ME SAI DA CABEÇA


HÁ QUE CUIDAR DA DEMOCRACIA

ELA PODE AGONIZAR

E MORRER











Já não bastam os problemas que cada um tem na sua vida há sempre quem queira amachucar um pouco mais. Diz o povo que é bater em mortos. E não deixa de ter alguma razão. Quando mais fraco, doente, frágil, débil se encontra um ser humano mais alguns seres que deambulam por aí, aproveitando a vulnerabilidade do coitado, aproveitam para malhar, para pisar, para humilhar, para destruir.

Duas coisas dizia Einstein que eram infinitas, o universo e a estupidez humana. E sempre acrescentava que acreditava um dia poder medir-se o universo.

O ataque ao enfermo, àquele que já está curvado em dor, de gatas sem suportar o seu peso, é a demonstração cabal da mesquinhez e da miséria que existe no homem. Até entre os animais é normalmente aceite  a superioridade do mais forte e cessa pleito. O homem com milénios de civilização, de culturas, de ciências mostra toda a sua capacidade para a malvadez, para a prepotência e a crueldade sempre que disso tira algum gozo. Maior cobardia não deve existir.

E por isso não é de admirar que em pleno século XXl se fale em violência, em escravidão, em exploração, em crimes e em torturas. Este fenómeno ao contrário do que se pode pensar facilmente não é um exclusivo de gente sem cultura ou de nascimento e crescimento em guetos sem condições nos arredores das grandes metrópoles. Não, este fenómeno de violentar o outro, de preferência um que nos pareça fraco para se defender, acontece em todos os estratos culturais, sociais, é intrínseco ao ser humano, faz parte da parte ruim que cada ser possui. Só que uns conseguem, nesta eterna luta entre o bem e o mal, condicionar os comportamentos e atitudes, e mostram um ser social, tranquilo, interessado no próximo, sensível, com espírito altruísta e solidário. Outros, independentemente de terem tido educação, terem frequentado a faculdade e acompanharem com gente culta, não conseguem controlar o mal que têm no seu interior, e se realizam abusando do seu poder, social, económico, cultural, profissional para dar azo a toda a maldade que não conseguem travar, e é com satisfação e deleite que tentam e destroem os que podem calcar de baixo dos pés.

A Justiça, o Direito, as leis foram aparecendo com a evolução do homem e das civilizações das cidades e depois dos estados,como forma de colocar alguma ordenação na vida social e de modo a tentar colocar um travão sobre as atitudes lesivas, contrárias à moral, que prejudicam e causam dano aos homens.

Existe um elenco de delitos e a cada delito corresponde uma pena. A lei garante o cumprimento das regras e o respeito pelos princípios que consagram garantias, direitos. E, sucede-se a legislação. Actualiza-se com o tempo com a vida do homem. Mas nem assim, o bem vive em tranquilidade e os mais fracos podem estar descansados no seu infortúnio. A arte dos malfeitores e criminosos é enganar a lei, primeiro ignorando-a e procedendo como se nada existisse, e depois é tentar enganar Instituições e a Justiça. Os crimes são cada vez mais subtis, a escravidão de hoje não tem nada a ver com os tempos de Spartacus ou da ida dos negros para o Brasil ou para as Américas. E a tortura não é feita com chicotes nem máquinas idênticas às que a Igreja utilizava na Inquisição para arrancar as confissões dos desgraçados. 

O mundo parece continuar a girar, e existem estudiosos das ciências sociais que fundamentam melhorias atrás de melhorias, chamem para mostrar suas teses as estatísticas, que se sabe ser uma arte de bem mentir, mas de facto às aparências e aos números que nos pretendem fazer sorrir esconde-se a miséria humana, o que não se escreve, o que dificilmente chega ao conhecimento geral, a violência dos fortes contra os fracos, dos cultos contra os iletrados, dos detentores de poder sobre o cidadão comum.

A nossa democracia parece funcionar. As nossas Instituições parecem funcionar regularmente. Os políticos parecem governar e cada um parece desempenhar o papel que a sociedade lhe atribuiu. Mas é uma democracia coxa, mais uma partidocracia, ou arriscaria dizer uma ditadura dos grupos dominantes, dos que se conhecem e se podem ver à luz, ao sol, e daqueles que são toupeiras ocultas e levam seu tempo mexendo nos cordelinhos da vida de muitos. A igualdade é uma utopia, e a gentalha que atropela os direitos dos outros, que violenta a lei, e destroça seres humanos continuam impunemente a praticar o mal. Com um sorriso nos lábios.

Assim vai a nossa democracia, muito enferma, muito debilitada, vilipendiada por gente suja, gentalha, criminosos de fato e gravata, altivos, indiferentes ao mundo. A sua visão não ultrapassa por via de regra o seu umbigo, e cobardes acabam pro nem serem felizes, a consciência tortura-os, reconhecem a sua pequenez e mediocridade. E quando acordam, para esquecer as noites mal dormidas e com suores vão procurar novas vítimas.


















quinta-feira, 2 de junho de 2016

SINTO SUORES QUANDO OUÇO DEFENDER A REGIONALIZAÇÃO


Regionalizar é legalizar quintas e castas, influências, tachos, compadres e comadres, é lavar as mãos como Pilatos e cada um que se desenhe. Se hoje é difícil não ver as tropelias e verdadeiros escândalos que ocorrem por esse país fora, imaginem quando Lisboa, o Presidente, o Governo, a Justiça, o Provedor, o Procurador estiverem descansados lá longe. Nem a Constituição da República e as Leis cá chegam. Vai ser assalto atrás de assalto com prepotência, influências, amizades, cores partidárias. Enfim, um regabofe. O povo já disse não, mas nas suas costas o despudorado Governo fez orelhas moucas e aí estão elas disfarçadas. Alguém ganhou? Quanto não custa manter as CCR`s? Só nas deslocações e ajudas de custo para a sede da região? Fala-se em colocar deputados, políticos, mais instituições, mas não ouvi nunca falar que cada região tem que ter todos os Cursos Superiores. Hospitais de Primeiro Nível. Para que servem afinal as regiões? E a quem interessam?

Quando se falará numa séria e cuidada Reforma Administrativa com a participação alargada de gentes e instituições?

Quando se dará luta ao flagelo que mina o país que é a corrupção?









Para alguns intelectuais e seres técnica e cientificamente desenvoltos, a solução do país passa pela regionalização. Quer isto dizer de um modo simples, rejeita o centralismo do Estado sediado na Capital e passamos a ter uns poucos de Governinhos, que com o Governo representarão em princípio o executivo nacional. Não sei se às regiões também pretendem estender o legislativo e o judiciário. Este projecto pode ser muito atractivo, provavelmente muito mais políticos vão viver às custas do orçamento, isto é, dos nossos impostos, e dada a proximidade e a falta de controle quando se dão meia dúzia de passos fora do Terreiro do Paço, vai ser um assalto concertado a tudo. Será que a Constituição da República Portuguesa vai chegar e ser imperativa em cada região? As leis terão um leque de aplicação no território nacional? E quem as garante nas regiões e nos distritos? E o poder judicial pode ter algum tipo de intervenção pelo governo regional nomeadamente na criação de Procuradores Regionais, Provedores de Justiça Regionais?

Tudo isso é o fim da razoabilidade, da Democracia, do Estado de Direito, da Igualdade, da Legalidade. Com um tiro para defender o interesse de uma classe de medíocres políticos, já a nível nacional vemos o que vemos, vamos dar cabo de todo o sistema. Hoje quando se chega ao distrito e à região - que de forma violentadora acabaram por ser feitas contra a vontade do povo expressa em referendo - é como se entrássemos numa a anarquia. O compadrio, a amizade, a família, a casta, a religião, o grupo estranho a que se pertence, a família política, os interesses que já hoje dominam a máquina da governação e da legalidade, aumentando quanto mais nos  afastamos de Lisboa, vão encontrar a segurança de uma existência legal. O que hoje é feito às escondidas, e muitas coisas são feitas à vista de toda a gente tal a impunidade a que se chegou, passa ser feito legalmente, e os cidadãos que julgam encontrar na regionalização a proximidade ao poder, à lei, à ordem, ao desenvolvimento, acabam por ficar ainda mais isolados. E, depois, para se chegar aos Órgãos do Poder Central vai ser um martírio de formalidades e uma multiplicidade de locais de passagem. O que se queria ganhar, perde-se inequivocamente e a celeridade vai cair, como cairão muitos dos protestos e dos Processos.

Portugal nem tem - sejamos lógicos e razoáveis - uma dimensão que exiga tal fraccionamento do país. O que Portugal precisa é ver melhorada a sua democracia, a participação da sociedade civil, a sua lei eleitoral, o combate contra a corrupção deve ser efectuado, e deve haver descentralização de serviços não por divisões do país como se estivéssemos a cortar um bolo aos bocados. Portugal precisa de um planeamento sério e nacional, que olhe o interior e a desertificação, que se preocupe em instalar dentro da esfera pública Serviços em povoações em decadência. A regionalização não vai salvar a cidade em declínio, a regionalização vai fazer prosperar a capital regional e aumentar a sua diferença para as demais cidades que a compõem. 

Portugal não deve ter uma grande diferença em termos de área geográfica de uma Andaluzia ou Castela e Leão na vizinha  Espanha. Portugal não tem que dividir, tem que reformar e unir. E o Governo de Lisboa e os demais Órgãos de Soberania têm de alargar as suas influências a todo o território nacional. A grande mudança que seria desejável, mas em que poucos falam pelos custos eleitorais e políticos que pode provocar, é uma verdadeira e eficaz Reforma Administrativa. Vivemos num país em que grupos de 3000 cidadãos têm piscina coberta, campos de futebol relvados, pavilhão desportivo, biblioteca, centro cultural, e meia dúzia de serviços da Administração Pública. No concelho ao lado que dista um par de quilómetros outra mordomia igual. E no outro ao lado a seguir é igual. Portugal não tem estrutura económico financeira, nem o número de utentes, cidadãos, o justifica, para manter tudo isso. São fortunas mal governadas, fortunas que não obedecem a uma efectiva necessidade mas à livre escolha de cada concelho, tenha os habitantes que tenha. Racionalmente podiam partilhar-se imensas coisas. Mas tal Reforma não pode ser feita à portuguesa, isto é, à bruta, à pressa, sem discussão, nas costas do povo, e ao sabor da maioria de um dado momento. Corre-se o risco de mudando o espectro político vir a alterar-se tudo de novo ou a proceder a cosméticas com custos, para eleitorado ver. Dinheiros desbaratados.

Tem que se fazer uma Reforma com os partidos políticos, com as instituições não governamentais, com grupos e associações cívicas, com os sindicatos e as associações empresariais, com os agentes culturais e económicos, com os cidadãos. E fazer-se uma Reforma Administrativa não é necessariamente amputar um concelho, ou aumentar o outro, pode ser uma simbiose, feita paulatinamente, no tempo, sem custos dolorosos e em harmonia. Pode unir-se sem fazer desfeita, sem humilhações nem preconceitos. Mas para isso são necessários políticos que vejam ao longe, e não à distancia da carteira ou de uma carreira que o leve a ser rico fácil. 

E sem a Reforma da Lei Eleitoral justifica-se claramente que muita gente pura e simplesmente não saia de casa para votar. Muitos votos não têm qualquer valor. Um círculo nacional aproveitava cada voto viesse ele donde viesse. E a redução do número de deputados para a quantia mínima que a Constituição estabelece, é urgente. Não se pode pedir sacrifícios a uns e outros passarem ao lado assobiando.

E a corrupção que não é atacada por nenhum partido com assento parlamentar. Porque será? Pois fiquem sabendo que um país onde essa chaga social sugue energias, interesses, poderes, cargos, favores, dinheiros, é um país que não pode arrancar. Está inquinado, aprisionado, enfermo.

Como anda o nosso país em novo referendo pela regionalização voltaria a votar não. E com tudo o que vejo acontecer longe da capital nos centros de poder local e regionais, continuo, contra a maré, a defender um centralismo, onde, pelo menos o cidadão sabe que estão Instituições a funcionar, e onde os direitos dos cidadãos encontram entidades e órgãos para os defenderem. Cá no campo é simplesmente hilariante o que o cidadão tem que ver todos os dias. E o pior é que a maior parte já nem liga, como se a corrupção, as tropelias, as ilegalidades, as prepotências fizessem parte deste sistema. Mal vai o país e os portugueses. Percebe-se porque lá fora nos olham e sorriem, e pode adivinhar-se o que pensam.







DIREITO À INFORMAÇÃO



TODA RECLAMAÇÃO TEM RESPOSTA

É UM IMPERATIVO LEGAL















Apresentei fundada reclamação contra um acto médico e subsequentes más práticas na USSP - Unidade de Saúde Pública de Portalegre, na pessoa da responsável pelo Serviço e sua equipa de técnicos, Excelentíssima Senhora Doutora Presidente das Juntas Médias de Avaliação de Incapacidade Multiusos e Delegada Distrital de Saúde.

Reclamei no Livro Amarelo

Reclamei para todas as Entidades que me lembrei desde Sua Excelência o Senhor Presidente da República, e fui descendo por aí fora até chegar ao local, ás hierarquias chegadas. Curiosamente nas Entidades importantes, exemplo, Órgãos de Soberania existe uma compustura, um respeito, e o cidadão vem a saber que a sua reclamação foi lida, e endereçada para uma outra entidade mais próxima do problema e com capacidade de intervenção.

Quando chegamos à região, já não há nada a fazer, outros valores se levantam e valem mais que leis, que éticas, que moralidades, que justiça, que doentes, e o mesmo sucede quando chegamos a hierarquias próximas. Nem resposta. É um silêncio sepulcral. Como se nada tivesse por ali passado.

Tudo isto é revelador do pequeno país que ainda somos, onde existe uma democracia mais para uns que para outros, onde os doentes não são todos iguais e tratados de igual modo, onde as regras e os princíos puramente nada valem, onde não há respeito é a lei da selva, cada um que se amanhe e de preferência deve ser amigo, deve ser importante, deve ser do partido, deve ser influente. Se for da Opus Dei ou da maçonaria nem se coloca nada pela frente é sinal verde e coitado do infractor.

Uma reclamação no Livro Amarelo demora em média, segundo o Novo Código do Procedimento, 3 meses. Ora eu reclamei a 12 de Janeiro e já vamos em Junho. Isto do Código do Procedimento Administrativo também é para inglês ver, acredito que muitos responsáveis pelos Serviços nem o viram alguma vez por perto, e se acaso têm algum no Serviço - o que me deixa muitas dúvidas - não têm tempo para patranhas. E com a breca ser chefe tem o seu valor, para quê livros cheios de lérias.

Uma coisa se revela de imediato no atraso do meu Livro Amarelo e na falta de informação que tenho sobre as demandas da Administração sobre o assunto que reclamo. O crime já foi descoberto, o gato deixou o rabo de fora, e agora ninguém sabe o qeu fazer. Pode-se ser preso por nada fazer, nunca fui ouvido, ninguém me informou se foi levantado algum inquérito ao serviço ou aos servidores, não sei de nada. E pode-se ser preso (é um modo naturalmente figurado de expressar) por decidir, principalmente se a decisão for independente e séria. É que no submundo tudo se interliga, vale mais que a Constituição da República coisas simples, amizades, ser colegas, ser do partido, serem compradess, a troca de favores.

Um problema, um país democrata, moderno, da União Europeia, um Estado de Direito, uma Administração Pública que se subordina às leis, e depois é o que se vê, meia dúzia de maltrapilhos põem em causa toda uma praxis que corronpem, que adulteram, que violam.

Pobre país, pobre Portugal e coitados dos cidadãos sobretudo se falamos de gente diminuída, com incapacidades, doenças, seres frágeis que a maior parte das vezes nem se apercebe que é atropelada quanto mais sabe defender-se. Os chacais continuam à solta. Cuidado...


quarta-feira, 1 de junho de 2016

COBARDIAS PROVOCADORAS ATACAM...


PARECE MATILHA

NO ATAQUE




Parece que vai dar-se um ataque dos lobos, sempre atacam juntos, três e um fantasma que coordena a matilha ou alcateia, a um aparente indefeso cão. É uma batalha ganha, a luta vai terminar comendo carne ainda quente de canino. E, se de repente o cão se revelar uma surpresa e der uma lição de dentada bravia que faz os lobos terem de fugir velozmente, uns coxeando, outros uivando do dor. E o lobo fantasma? Consegue com a sua invisibilidade escapar a um destino igual aos seus reais semelhantes? Defronta o cão, o ataca? Corre em ajuda dos companheiros, ou não conhece derrotados nem vencidos e muito menos vencedor, e passa despercebido - não teve nada a ver com o feroz evento - floresta fora?

Há cobardes que só atacam pela certa. Quando têm do seu lado o poder e a força. Fazem leis, não respeitam as que existem. São malfeitores. E, quando não dominam a situação empurram outros, tolos, para fazerem as suas guerras, para executarem as suas vinganças, para serem maus e cometerem atrocidades.

Entre os humanos há gente assim, ataca pensando que já ganhou, que a presa coitadinha não pode defender-se, é fraca, e algumas vezes enganam-se nos cálculos, e quem tem que pensar em fuga é o herói cobardolas que atacou e foi rechaçado. Ele há cada surpresa. E cada cobarde. E cada tolo. Belo cão. Ferrou e já não largou, opsssssssss...



GOLPE PROCESSUAL NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, VOCÊ ACREDITA?


O PODER EMANA DO POVO

OS DEPUTADOS REPRESENTAM O POVO

EXISTEM COMISSÕES PARLAMENTARES

É POSSÍVEL UMA COMISSÃO PARLAMENTAR NÃO 
CONHECER AS SUAS ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS?














No dia 18 de Janeiro enviei uma Reclamação / Exposição para a Assembleia da República dirigida ao seu Excelentíssimo Presidente.

Na mesma relatava que tinha sido visto por numa Junta Médica de Avaliação de Incapacidades na Unidade de Saúde Pública de Portalegre, tendo, ao contrário do que eu pretendia daquela peritagem, ver subir o meu grau de Incapacidade por me encontrar pior e juntar ao meu pedido dois Relatórios de Especialistas enunciando que efectivamente estava pior de saúde, baixado a minha valoração dado o Meritíssimo Júri de Avaliações ter entendimento que eu me encontrava melhor de saúde, justamente onde os relatórios, ao invés, me declaravam "piorado".

Hoje, de depois de tanta coisa que se passou posteriormente à referida Junta Médica parece seguro afirmar que a mesma foi deliberadamente, isto é, premeditada e com intenção de causar prejuízo, fraudulenta. Acredito mesmo que configure a natureza de um crime.

É que depois de reclamar dessa injustiça, que me pareceu só poder tratar-se de erro, nem resposta tive. E quando me dirigi àqueles serviços para saber o que se passava a Senhora Presidente do Júri, informou-me que quanto ao Júri entendeu eu encontrar-me melhor, mas poderia ultrapassar a situação se entregasse uma nova Declaração Médica mais detalhada. Dada a urgência que tinha em todo aquele procedimento fui a uma consulta privada, pois no SNS levaria meses, e de imediato fiz entrega em mãos à Senhora Presidente do Júri de dois Relatórios novos; do meu Psiquiatra e da minha Psicóloga. A Senhora Presidente do Júri disse que estava tudo bem, me virou costas e foi para o Gabinete das Juntas Médicas. Sem saber o que fazer sentei na Sala de Espera, e quando a responsável pelo serviço administrativo me perguntou o que ali fazia, respondi estar à espera, pois a Senhora Doutora tinha levado os meus Relatórios talvez estivesse a fazer a correcção. Informou-me aquela administrativa que não, que naquele dia Sua Excelência não iria fazer nada no meu processo que eu fosse para casa e quando fosse a altura me contactariam. Eu fui para casa e estive à espera uns dois meses. Nada. Deixei passar o Natal e o Ano Novo não me parecia elegante enviar reclamações nessa quadra festiva. Nos primeiros dias de Janeiro reclamei de novo por escrito. Sem resposta de novo. Fui aos Serviços em dia de Juntas Médicas e a Senhora Presidente disse-me mal se aproximou de mim; hoje não posso ver o seu processo. Eu já nadava desesperado e incrédulo com o que estava a me acontecer perguntei quando, quando era o dia para tratar da minha situação. A resposta foi. não sei, espere. E virou-me as costas. Eu ainda lhe disse que ia reclamar, sem se virar respondeu, reclame. Eu fiquei possesso e ainda gritei que era uma vergonha o que me estavam a fazer, que era um comportamento discriminatório e ilegal... e calei-me pois falava para nada. Sua Excelência fora-se. No dia seguinte, dia 12 de Janeiro fui àquela Unidade de Saúde Pública de Portalegre e reclamei no Livro Amarelo.

Sei como se manipulam os Livros Amarelos, que raramente levam a alguma coisa de verdade e entendi apresentar as minhas reclamações ás diversas Entidades e Órgãos do Estado. Excelentíssimos Presidente da República, Presidente da Assembleia da República e fui sempre descendo até chegar ao nível de região.

Curiosamente a alto nível, quero dizer, os Titulares de Órgãos de Soberania e Entidades Oficiais e Governamentais, responderam-me, e, não sendo crível nem se poderia pensar tal, me informaram para onde os seus Gabinetes dirigiram a Reclamação que eu lhes enviara. Sua Excelência o senhor Presidente da Assembleia da República através do Seu Gabinete enviou-me uma carta a informar-me que a minha exposição seria encaminhada para a Comissão Parlamentar de Saúde. E bem, pensei. E fiquei feliz. Mais uma Entidade que fazia alguma coisa por mim, pelo meu Processo, pela Justiça.

Passado uns dias recebo nova carta da Assembleia da República, da Comissão Parlamentar de Saúde, informando-me que por não se tratar de matéria da sua competência tinham enviado a minha Reclamação para a Comissão Parlamentar da Segurança Social.

A alegria que tinha desfez-se. Dias antes também a ERS - Entidade Reguladora da Saúde para minha mágoa me informava ter arquivado a minha reclamação devido ao assunto da mesma não ser atribuição sua. Mas fiquei mais feliz quando percebi que fora um computador a fazer semelhante asneira.

Já na Assembleia da República, e peço desculpa pelo meu atrevimento, não sei como interpretar esse "golpe" de trocar de Entidade a minha reclamação, de modo a que, com toda a certeza, não teria andamento algum.

Depois enquanto cidadão perguntei-me: como pode um Presidente de uma Comissão Parlamentar não conhecer o âmbito das atribuições e competências do seu Sector? Foi um caso isolado ou ocorre frequentemente? É falta de conhecimento? Distracção? Ocorreu-me mesmo, mas detesto que possa vir a mim tal ideia, que esse deslocamento da minha Reclamação do sector certo para um que não tem nada a ver com ela, pode configurar algo de muito mais grave. A ligação do Presidente da Comissão Parlamentar da Saúde e os poderes instalados na sua cidade, precisamente Portalegre, por onde é deputado, e onde, naturalmente tem todo um grupo de dirigentes da administração pública local e regional como amigos ou da mesma área política.

O que é certo é que passados todos estes meses o meu Processo continua no segredo dos deuses. O Livro Amarelo já andou de Serviço para Serviço, e não imagino onde possa andar. O tempo médio de duração do procedimento já foi ultrapassado expressivamente de acordo com o Código do procedimento Administrativo. Eu nunca fui chamado para prestar alguma informação - o Livro Amarelo é de reduzida dimensão para formular uma reclamação mais longa - e não me foi comunicada nenhuma diligência por parte da hierarquia, não ouvi falar de inquérito, auditoria, procedimentos, tudo parece igual, os mesmos médicos continuam tranquila e serenamente a fazer Juntas Médicas. Eu só luto contra eles, por um dever para com todos aqueles que não podem ou não sabem defender-se, e muitos nem se aperceberão do que ali ocorre. Outros me pedem que os defenda, mas honestamente, estou muito cansado e doente, mal tenho forças para levar por diante o meu.

Já não sei a quem me dirigir. Já tentei contactar O Presidente da Comissão Parlamentar da Saúde por duas vezes através do email colocado no site da Assembleia da República, sem qualquer resposta. Igual tentativa efectuei junto de um Vice-Presidente da mesma Comissão. Desconheço se lhe chegou ou não. A informação que chega de resposta que a mensagem não foi encriptada e pode não ser segura, não serve a finalidade da existência da mesma, como pode o cidadão servir-se de algo que lhe colocam nas mãos e vem posteriormente a entender que desconhece se a mesma (email) foi enviada ao destinatário, se pode não chegar, se pode ser lida por outra pessoa. Acho que este assunto e falo simplesmente como um cidadão empenhado em opinar para um fornecimento de meio de contacto mais seguro entre os cidadãos e os seus deputados.

Vou continuar a indagar o que se passou com a passagem da minha Reclamação pela Comissão de Saúde, e decidir qual o melhor meio que possa ter para que a mesma não se perca.

A bem de Portugal