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domingo, 21 de maio de 2023

UMA REPÚBLICA DE GAROTOS (ANTÓNIO BARRETO)

 

Podemos ter a certeza: neste caso da TAP, dos respectivos antecedentes e das devidas sequelas, há, entre os seus intervenientes, um ou vários malfeitores. O problema consiste em saber se são todos ou só alguns.


Podemos ter outra certeza: há, neste processo, um ou vários mentirosos. Falta saber se são todos ou só alguns.


É ainda certo que há alguém a preparar um roubo, a cometer uma fraude, a obter algo indevidamente, a tentar assassinar politicamente alguém, a liquidar um adversário e a destruir quem sabe segredos. Só não sabemos se é só um, se são vários ou se são todos os intervenientes.


Sabemos também que estão envolvidos titulares de cargos políticos, altos funcionários do Estado e altíssimos responsáveis da Administração Pública, universo este que pode incluir um primeiro-ministro, vários ministros e ex-ministros, diversos secretários de Estado e ex-secretários de Estado, chefes de gabinete, adjuntos, assessores, auditores jurídicos e administradores de empresas públicas. Uma vez mais, não sabemos se todos ou só alguns têm culpas e responsabilidades.


É seguro que algo está em causa, mais importante do que um computador, dois socos, três bofetadas e uma ameaça de agressão. Num ministério como este, das Infra-Estruturas, é difícil encontrar documentos confidenciais muito sérios. Também num país como o nosso, não é crível haver segredos de Estado vitais, ainda por cima gravados no computador de um adjunto! Muito dinheiro, muitos interesses, enormes favores e imensas negociações: eis o que pode estar em causa.


Temos diante de nós a coreografia ou o cenário perfeito da mentira: do mesmo acontecimento, dos mesmos factos, com os mesmos protagonistas, existem pelo menos duas versões contraditórias, dois elencos factuais diferentes e opostos e evidentemente dois perpetradores.


Um bando em funções de Estado, instituições supostamente respeitáveis, departamentos governamentais com responsabilidades, deputados eleitos e representantes directos dos cidadãos, empresas públicas, escritórios de advogados famosos, salteadores de capitais internacionais, funcionários de Estado obrigados a limpar as estrebarias e empresas internacionais de consultadoria estão atarefados à volta de um ministério. Este, por sua vez, ocupa-se de tudo quanto é importante na economia futura do país: aviões, aeroportos, comboios, caminho-de-ferro, portos fluviais e marítimos, grandes pontes, energia, rede eléctrica nacional, barragens e centrais térmicas e mais, tanto mais, em duas palavras, quase tudo, nas mãos de um ministro… É isso que está em causa! São decisões de muitos milhares de milhões! São os marcos da economia futura do país. É o maior investimento de que há memória e de que haverá crónica no futuro! É isso que está em causa, não é um computador, um telemóvel, uma ameaça contra quatro mulheres, um murro de um homem, uma grosseria de um ministro, um engano de um telefonema…


Já se percebeu que houve mentira, traição, ciúme, engano, ameaça, violência e abuso. Mas porquê? O que estava em causa realmente? Dinheiro? Interesses estrangeiros? A companhia de aviação? O aeroporto? O lítio? Os comboios e o TGV? A rede eléctrica nacional? As “renováveis”? Uma coisa parece certa: para que os intervenientes se tenham deixado enredar em cenas ridículas próprias de telenovela, é necessário estarem de acordo sobre um ponto: o silêncio sobre o essencial. Fica-nos a certeza de que este silêncio e a zanga têm origem num passado de cumplicidade.


Ao longo deste processo, pelo que se sabe, alguns ou todos se portaram mal, abusaram de poder e de funções, mentiram, esconderam, ameaçaram, agrediram, roubaram, destruíram, quebraram, negaram, tentaram liquidar, apagaram documentos, “limparam” telemóveis e computadores, sonegaram provas, esconderam fontes e acusaram falsamente outras pessoas. Todos? Só alguns? Quem?


Raramente, nestas décadas que levamos de democracia, se atingiu um ponto tão baixo de miséria moral, de atentado político, de vilania, de imoralidade e de sem vergonha! Há gente que, por bem menos, reside actualmente na penitenciária, em Custóias ou em Pêro Pinheiro. Raramente como agora a justiça portuguesa esteve tanto em causa. Raramente como agora o Estado de direito esteve tão ameaçado.


Na máfia, nos gangs de Nova Iorque, entre oligarcas de Moscovo, nas redes de tráfico de droga, no mercado do sexo e de trabalhadores clandestinos, nos serviços de imigrantes, no comércio de armamento, nos arranha-céus de magnates do petróleo ou nos resorts dos bilionários dos metais raros, há procedimentos parecidos com aqueles que se adivinham neste processo. Com a diferença de montantes e de pessoas envolvidas, com certeza. Mas com uma similitude moral indiscutível.


Parece a República dos Garotos. Pelo que se julgam superiores e infalíveis. Pela superioridade moral de que crêem usufruir. Pela inteligência sistémica com que tratam as estratégias de longo prazo e nada entendem da vida real. Pelo desprezo com que avaliam os outros, a opinião pública e os eleitores. Pelo modo como substituem as regras e as leis pelos seus gestos, os seus gostos e os seus valores. Pelo seu carácter atrabiliário e pela irascibilidade adolescente. Pela palavra gratuita, pela moral que muda, pela crueldade constante, pelo cinismo indisfarçável e pela hipocrisia como hábito e regra: por estes e outros atributos, estas pessoas, algumas destas pessoas, muitas destas pessoas não deveriam ter acesso a postos de comando, nem ter a capacidade de influenciar a vida de outros. Estamos perante pessoas que só têm regras claras e precisas: eles próprios, os seus amigos, os seus partidos, as suas famílias, as suas empresas e as suas auréolas de glória narcisista que designam por interesse público. Estes Garotos divertem-se com o mal dos outros, brincam e desprezam os inferiores e os menos dotados, odeiam e perseguem os superiores e mais capazes. E têm enorme consideração por si próprios.


Como é possível que alguns ministros capazes, alguns governantes decentes, alguns altos funcionários competentes, alguns deputados honestos e alguns profissionais honrados se deixem enlamear por estes Garotos? Nunca se perceberá a razão pela qual académicos probos, professores dedicados, engenheiros competentes, autarcas responsáveis, sindicalistas empenhados, intelectuais com sentido moral da vida e políticos ciosos do bem comum se deixam envolver nesta história a todos os títulos tão sórdida.


Pela actualidade e pertinência, porque esse estudioso que é António Barreto expõe admiravelmente muitos pontos de vista que gostaria de saber expressar mas que, naturalmente, por não me assistir a sua sabedoria nem a sua competência, me limito a subscrever e transportar para aqui, neste meu lugar de reflexões, dúvidas, alegrias e descontentamentos, o seu admirável texto que saiu no Jornal Público de dia 20 de Maio de 2023, Opinião, com o título "Uma república de Garotos".

Recordo uma nota num jornal inglês do séc. XIX sobre este nosso apequenado e triste mundo: "Portugal está como a Turquia é impossível introduzir-lhe civilização". Dois séculos depois parecemos barbaramente desprovidos de civilização e vivemos num país aos tombos, sem rumo, sem futuro.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

COMO APROVEITAR NA SUA CIDADE O DESNORTE QUE INVADE A VIDA PÚBLICA?


ÚLTIMAS NOTÍCIAS: A Polícia Judiciária investiga na Câmara Municipal de Setúbal possíveis atropelos à contratação pública. Morão o conhecido autarca de Castelo Branco, depois de aposentado e com um lugar no Conselho Intermunicipal em exclusividade, foi contratado para controlar as obras na Câmara de Lisboa. Em Espinho a promiscuidade entre presidentes de câmara e empreiteiros leva a investigações e seis pessoas foram constituídas arguidos. Há alguns em prisão preventiva. 




O problema maior vai ser onde colocar toda essa gente que se aproveitou em benefício próprio no desempenho de cargos públicos, depois de conhecidas as penas e de apuradas, como deve ser feito a realidade nacional como um todo. Urge perceber, de uma vez por todas, as diversas formas como o poder tem privilegiado amigos, correligionários, familiares e os seus próprios membros no comando da coisa pública, procedendo a investigações gerais, estudando o que se tem passado, julgando quando há necessidade de confrontar comportamentos com a lei, e aplicando penas se a mesma lei as estabelece por desconformidade entre as práticas e a legalidade.


Tenho para mim que caso as entidades públicas fossem alvo de rigorosas investigações, por quem de direito, desde os institutos públicos, empresas públicas, instituições do poder local, regional e central, teríamos de sentir, enquanto portugueses, enquanto cidadãos da Europa e do mundo, uma vergonha profunda. Muitas ilegalidades seriam descobertas e as imoralidades não teriam fim. Vivemos num país permissivo a todo o tipo de "jeitinhos" com que se beneficiam irmãos, primos, filhos, sobrinhos, amigos e amantes. Um país onde às claras se procede imoralmente à contratação de assessores inexperientes pagos, pelo erário público, ao preço dos melhores quadros que pelo país laboram. Vejo adjudicações ardilosas feitas a quem se quer, concursos combinados, concursos abertos armadilhados, obras que ultrapassam os valores contratualmente celebrados sem quaisquer tipos de controle, histórias de luvas, de corruptores e corruptos. O país, verdadeiramente está a saque. Hoje dos socialistas e os seus muchachos, ontem dos laranjinhas e seus companheiros e amigos. Tudo tem sido um desbaratar. Democratizou-se a metralhada organizada na política. Os irmãos Metralha já não figuram apenas na banda desenhada.




 

Os males de uns são geralmente oportunidades para outros. Pegando nestes desabafos obviamente exagerados mas piedosos, ainda podemos pensar em tirar dividendos de toda esta alhada de gente desconforme com o direito e as boas práticas, desta gente que desconhece ou simplesmente rejeita a ética, foge do que é a moral, despreza os outros e ignora que a coisa pública devia ser uma missão de alto valor, um serviço aos portugueses a a Portugal.

Veria com bons olhos a construção de uma nova prisão - e bem grande - para dar acolhida a condizer a toda esta gente. Por um lado, facilitariam as decisões dos magistrados que conhecem da sobrelotação das prisões. Não indo estes gran finos ocupar os lugares dos criminosos de delito comum. Nem acredito que coabitassem harmoniosamente. Não estou a ver um ladrão de fome a conviver com um ladrão de casa de férias no Algarve, andar no parque das Nações, carros nas garagens e férias nas Maldivas. Um e outro iam sentir-se mal, creio. Na canalhice poderiam até estar muito próximos, mas tal não ia ocorrer na ideia que ambos continuam a ter de princípios. O que rouba para comer despreza o que rouba para esbanjar luxos e vaidades. E ao canalha que finta a lei e enriquece causa náusea o ladrãozinho descalço.

Uma cidade em queda, por exemplo Portalegre no Alto Alentejo, seria imensamente beneficiada com a colocação de uma prisão desta gente especial. Seria mais uma unidade da administração pública a sediar-se numa zona em que o desenvolvimento parou faz bastantes anos, seriam mais uns empregos e a criação de muitos postos de trabalho indiretos. E seria interessante ver-se visitada esta cidade do interior, abandonada, esquecida, por gente grada que visitariam, penso eu, os seus familiares e amigos, pela cidade degustariam iguarias regionais de boa qualidade e os bons vinhos da região. E depois, sempre seria notícia a passagem por uma ou outra rua de alguém que se via antes na televisão, nos jornais e nas revistas. Seria um acordar intenso numa cidade que parece mortiça. Venha a prisão, mas primeiro prendam quem não deve andar à solta.

 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

OLIGARQUIA - GOVERNO DE POUCOS. O NOSSO GOVERNO É DE MUITOS E PARA MUITOS. OU...









Nciência política, oligarquia ("oligarkhía" do grego ολιγαρχία, literalmente, "governo de poucos") é a forma de governo em que o poder político está concentrado num pequeno número pertencente a uma mesma família, um mesmo partido político ou grupo econômico ou corporação.

A oligarquia é caracterizada por pequeno grupo de interesse ou lobby que controla as políticas sociais e econômicas em benefício de interesses próprios.

O termo é também aplicado a grupos sociais que monopolizam o mercado econômico, político e cultural de um país, mesmo sendo a democracia o sistema político vigente.

Em sua configuração original, a palavra oligarquia indica o “governo” (archein) “de poucos” (oligos). Contudo, o pensamento político ligado à oligarquia não esteve rigidamente submetido a essa única forma de compreensão.

Apesar dessa acepção, o termo oligarquia pode ser muito bem empregado em outras situações políticas. 

Quando observamos, por exemplo, que um mesmo partido político ocupa os mais altos escalões de um governo, podemos identificar o desenvolvimento de uma oligarquia. Em geral, a presença das práticas oligárquicas impede que amplas parcelas da população participem do debate político. Dessa forma, podemos ver que a oligarquia diverge do atual sentido dedicado à democracia.

Na Grécia Antiga, a expressão oligarquia era negativamente empregada para se fazer referência a todo o regime que fosse comandado por pessoas com alto poder aquisitivo. Desta forma, os governos oligárquicos foram confundidos com o governo das elites econômicas.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.








Este é um termo que tem uma definição muito extensa, porém a análise do mesmo começa na sua origem: Grécia Antiga onde o termo “oligarkhía” significa governo de poucos, ou seja, um governo reduzido; um sistema político que concentra o poder na mão de poucas pessoas ou de um pequeno grupo que pode pertencer a uma mesma família; também pode pertencer a um determinado grupo político ou até mesmo a um grupo financeiro e/ou econômico. Este tipo de governo, a oligarquia, é comumente responsável por políticas que normalmente são geridas para conseguirem-se benefícios baseados em interesses comuns ao grupo ao qual pertencem, deixando de fora outros interessados sejam eles quais forem e que se não pertencem a este reduzido grupo, não usufruem das vantagens conseguidas pelo mesmo.

O monopólio dos mercados, da política e até mesmo da cultura de uma nação, ainda que esta seja democrática, é na sua maioria inerente daquilo que conhecemos por oligarquia. Podemos usar como exemplo de prática de oligarquia quando os cargos mais altos e melhores remunerados de uma empresa são ocupados por quem faz parte de uma oligarquia onde seus membros possuem na prática, mais direitos do que aqueles que não fazem parte dessa minoria.


Comumente, este sistema político social é dominado pela elite, onde a participação de cidadãos comuns é rechaçada e o povo fica de fora de tudo àquilo que promove a oligarquia. Na história temos muitos exemplos de oligarquias, tanto na antiguidade como na atualidade. Se prestarmos atenção à história, poderemos comprovar que um dos exemplos clássicos de oligarquia era o Senado da República da Antiga Roma. Entre outros exemplos similares estão Atenas e Esparta que são outros dois bons exemplos para considerar-se sobre o que significa o termo oligarquia.



Conceitua-se o oligarca, que é o estereótipo deste conceito, um ser desprovido de ética e que não tem a mora como um dos bastões da sua formação. É muito comum nominar a corrupção e a violência como companheiras inseparáveis da oligarquia, já que para fazer uso da mesma, normalmente recorre-se a este tipo de ação. A oligarquia é sinônimo de anomalia no que se refere ao um sistema democrático, porém, ainda nos dias atuais é uma triste realidade.



... Artigo http://queconceito.com.br/oligarquia