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domingo, 3 de setembro de 2017

AMANHÃ, E DEPOIS, E DEPOIS...


...SÃO PRIMEIROS DIAS PARA LUTAR

POR UMA VIDA QUE QUEREM ROUBAR

JÁ NÃO SE LUTA SÓ POR UM DIREITO

QUE IRRESPONSÁVEL E LEVIANAMENTE USURPARAM

LUTA-SE POR ESTAR VIVO E SER LIVRE


SEM LIBERDADE ESTAR VIVO NÃO FAZ SENTIDO!

ABRIR MÃO DOS DIREITOS É HIPOTECAR A LIBERDADE









domingo, 1 de maio de 2016

ANTIGAMENTE


EU E A GINNY 

NÃO CONHECIAMOS O MEDO



Poucos dias antes de morrer a Ginny - minha grande amiga e companheira - imaginem só, tive de a levantar para subir três degarus existentes no meu quintal. Estava muito débil, velhota e cheia de problemas de saúde. Mas se arrastava atrás de mim para onde quer que eu fosse. Tantas vezes, eu aqui sentado a escrever no computador e ela deitada na minha frente muitas vezes com seu corpo pisando meus pés.

E, como contava, acabo de levantar o pobre animal que se não atrevia a subir os degraus, e tocam no portão. Mesmo a uns 7 ou 8 metros do lugar onde nos encontrávamos, pois a moribunda Ginny, sem que eu pudesse sequer pensar aquela capacidade, salta a correr ao portão, e o homem que ali estava muito acomodado, encostado nele, com partes da barriga querendo entrar portão fora, levou uma dentada em cheio na barriga.

Felizmente não foi nada de grave. Mas o senhor ficou com as marcas dos seus dentes umas semanas. O que aquele cão não fazia para defender o seu amigo. Eu também tenho esse espírito meio canino de fidelidade ao amigo, valorizar a amizade, e seguramente nunca fugi quando encontrei amigos meus em apuros.

Essa foto é gloriosa, ali estávamos nós, os amigos, os que lutam pela amizade. E estamos juntos numa janela, representando a vontade fortíssima que nos unia a vontade de ser livre. A Ginny encontrou o descanso e a liberdade lá no paraíso canino, pois ela também foi criatura criada por Deus. E acredito que se algum meliante se atrever a me fazer alguna sacanagem, a Ginny vingará a afronta deslocando-se junto do mal encarado e lhe espetando meia dúzia de poderosas dentadas.

A Ginny partiu e eu fiquei sem companhia sem a minha grande amiga, sem a minha defensora incondicional. Mas não me retirei da Janela, ali continuo, olhando firme para o mundo que se pode vislumbrar. Como a Gonny está escrito nas estrelas - e eu sei disso pois também tenho uma estrela minha amiga - eu acabarei, não falta muito, para saltar da janela e encontrar a minha Liberdade. No Céu ou na Terra.

E como aconteceu com a Ginny, quam sabe se não ferro o dente em algum déspota, antes de partir. Isso a minha estrela não me revela, só diz quee vou permancer pouco tempo. Deus a corrobore. 

sábado, 6 de março de 2010

Cuidado! Fale baixinho, ou melhor, não diga nada mesmo... a ninguém

Jornalistas do Sol constituídas arguidas
por Agência Lusa, Publicado em 05 de Março de 2010

As jornalistas do Sol Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo foram hoje constituídas arguidas no inquérito instaurado pelo procurador geral da República à divulgação de notícias sobre escutas telefónicas efetuadas no caso Face Oculta.
Em declarações à Lusa, a jornalista Felícia Cabrita explicou que foram chamadas ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) onde foram constituídas arguidas, não tendo nenhuma delas prestado declarações, usando uma prerrogativa prevista na lei.
No âmbito do mesmo inquérito foram já chamados ao DIAP o subdiretor do Sol Vítor Raínho e a advogada do semanário.
A abertura de um inquérito (investigação) foi anunciada pelo procurador geral da República (PGR), Pinto Monteiro, a 05 de fevereiro.
O semanário Sol transcreveu extratos do despacho do juiz e do procurador de Aveiro responsáveis pelo caso Face Oculta em que estes consideram haver indícios "muito fortes" de um plano, envolvendo o primeiro ministro, José Sócrates, para controlar a comunicação social, nomeadamente a estação de televisão TVI.
No âmbito deste processo, que investiga alegados casos de corrupção relacionados com empresas privadas e do setor empresarial do Estado, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, antigo ministro socialista e alto quadro do BCP.

Nas escutas feitas durante a investigação foram intercetadas conversas entre Vara e Sócrates, tendo o PGR considerado que o seu conteúdo não tinha relevância criminal. O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Noronha Nascimento, considerou que as escutas não eram válidas, já que envolviam a figura do primeiro ministro e o juiz de instrução não tinha competências para as autorizar.

http://www.ionline.pt/conteudo/49756-jornalistas-do-sol-constituidas-arguidas-

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tudo calado. Só fala quem eu deixar...




O semanário Sol revela na edição de sexta-feira um extracto do despacho do juiz do processo Face Oculta onde se refere que “das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias”.

De acordo com o mesmo despacho, “resultam ainda fortes indícios de que as pessoas envolvidas no plano tentaram condicionar a actuação do Presidente da República, procurando evitar que o mesmo fizesse uma apreciação crítica do negócio”.

No processo Face Oculta, que investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, vice-presidente do BCP que suspendeu funções, José Penedos, presidente da REN-Redes Eléctricas Nacionais, cujas funções foram suspensas pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel Godinho, que está em prisão preventiva.

O primeiro-ministro foi interceptado em 11 escutas dirigidas a Armando Vara neste processo. Mais tarde, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, afirmou que as escutas envolvendo José Sócrates não continham "indícios probatórios” que determinassem “a instauração de procedimento criminal contra o primeiro-ministro, designadamente pela prática do crime de atentado contra o Estado de Direito".

por Sara Sanz Pinto, Publicado em 04 de Fevereiro de 2010; Jornal I


Vivemos tempos de grande incerteza e de crise. Pior que a crise que cada vez mais se sente na carteira de cada um - falo da gente normal, claro está - está aí inchada de gozo e de força a crise de valores, a enfermidade que mina a ética, o desaparecimento da moral.

Poderiamos até deixar cair, isso já ocorreu entre nós algumas vezes nos nossos mais de 800 anos de história, o sentido de orgulho pátrio, de honra colectiva, de contentamento em existir. E submeter-nos a uma cura escondida por alguns anos, sem vaidade, silenciosos, olhos no chão, calados, passando pelo tempo como sombra discreta.

E assumiriamos, com modéstia, e não ficaria mesmo mal, com o assumir das nossas ridículas manias das grandezas, e da mediania fraquinha do nosso espírito, que não passamos de uns pobres diabos, passando a vida a carpir desgraças, a fingir o que não somos, e a mostrar a todos a nossa inquiestionável pobreza, os olhares tristes, e a nossa pequenez.

Apostamos nos governos que democraticamente elegemos, fingindo crer que temos equipa para fazer façanhas, como aspiramos tornar-nos campeões no torneio de futebol lá do bairro. A cada derrota culpamos o alheio, o campo, o árbitro, o bandeirinha, os comentadores da tv, o sol, a hora, tudo nos serve de desculpa para o fracasso, que não queremos assumir da nossa equipa.

E vamos desculpando os pesos da nossa cosnciencia jogando as culpas nos tempos passados, nessa lista imemoriável de factos, feitos e heróis, ou empatas, que parece nos condenaram a um penar sem fim. Não faltará quem atribua a culpa da crise à Ala dos Namorados que se deixou destroçar nas lutas pela nossa independencia frente aos castelhanos, nem quem desculpe a cobardia ao fugitivo Barroso quando a sete pés abandonou a nau à deriva em troca de honras e glórias ao serviço de sabe-se lá quê, ou quem, ao Sebastião que irresponsavelmente se deixou envolver numa batalha no meio das areias africanas por uma causa sem qualquer interesse, nem quem julgue a triste demissão do Santana Lopes às mãos de interesses estranhos e de duvidosa legalidade, a consequências, e feridas mal curadas, resultantes do insucesso do magelómano mapa cor de rosa, e dos amigos da onça dos exércitos e poderes da coroa inglesa.

Em bom rigor parece que tudo vai mal, mas a culpa, sempre à portuguesa morre solteira. Do ensino à justiça, da saúde à segurança dos cidadãos, da qualidade de vida, dos salários, dos direitos, da cultura, não existe governo algum que não proclame milagres, feitos merecedores do reconhecimento público, vitórias sobre a visão medíocre e fatalista do passado e um caminhar seguro, certo, visível, na senda da modernidade e da glória.

E feito o balanço estamos sempre piores, baixamos na qualidade, no que desejamos, no que parece ser bom. Como bólides de fórmula um, aceleramos a ritmos diabólicos cada vez que o movimento indica prejuízos, perda de qualidade, maus resultados.

Mas, sejamos pelo menos sérios, fomos nós que colocámos nas cadeiras do poder, desse sempre eterno desgoverno irresponsavel, meia dúzia de trastes de pequeníssima valia, de vaidosos sem qualificações técnicas, de fala baratos saídos da partidocracia mais frouxa, e de compadres e amigos de ocasião, armados em gente boa, à procura do tacho.

Legitimámos a mais completa incompetencia. Aplaudimos a tacanhez de espírito. Vaiámos as vozes que algumas vezes procuravam despertar os incautos. E estamos praticamente falidos. Sem crédito, o país, as famílias, as empresas, e a classe política e as outras. À sombra das ordens profissionais escudam-se interesses estranhos e assiste-se a coisas do tempo da Maria da Fonte, que é pagar, para meia dúzia de tóinos, depois de anos de estudo, nos legitimarem o direito a trabalahar, a troco de meia dúzia de euros. Vaidades. A vaidade em ser doutor, nem que seja da treta. O que é preciso é parecer, ser ou não ser nem sequer conta já. Nem como se chegou lá. Fazem-se cursos de todas as maneiras, em todos os lugares, e os exames já podem ser feitos, democraticamente, em dias úteis ou não úteis, na escoal, ou na casa do estudante. Quem aprova ou reprova um trabalho que se deveria ter feito, já nem se sabe se é o professor, se o amigo, se o sócio, se a amante. São os novos tempos. De farsa, de loucura, de fingimentos, de desenrascar a qualquer preço.

Mesmo a democracia... será que existe? Cada vez mais as pessoas se afastam dos políticos como se eles trouxessem a peste ou a sarna, mas essa gente defende tudo e mais alguma coisa, mesmo tudo aquilo que pela própria natureza deveria ser alvo de estudo profundo e sério, e ouvidas as máximas pessoas, alegando o poder quase sacralizado, de representar todos os portugueses. Mesmo, e os números muitas das vezes nem mentem, quando a maioroa dos portugueses nem sequer já se dá ao trabalho de votar.

E se existe está gravemente enferma a nossa democracia. Atacada e espezinhada, vai se arrastando, vendo partir direitos constitucionalmente consagrados, vendo aumentar as diferenças entre as pessoas, crescer as injustiças entre os que brincam com leis e tribunais à conta de advogados espertos que se enchem de dinheiro, e aqueles que não se atrevem sequer a pensar em defender o que lhe tiram, por falta de recursos. Entre os que se rebolam de clínica a clínica a mudar de rabo ou a arranjar as unhas, e os que desesperam para ser operados a um cancro, e os que não podem ver bem, por falta de dinheiro para comprar óculos.

A nossa democracia já nem consegue proteger os que ousam falar. São inoportunos, irresponsáveis, loucos, que por ousar arriscam o emprego ou a carreira, a saúde, e o bem estar e qualidde de vida da familia. Quem se atreve a falar facilmente perde o lugar, cai. Aos olhos de todos. A tirania da mediocridade vai como um polvo imenso abafando quem se propõe denunciar, arrasando os que tiveram a coragem de dizer não.

O país continua entregue a gente que nunca responde pelas asneira que faz, mas que se arvora em bons e exemplares modelos ao instituir apertadas e desadequadas regras para avaliar o trabalho dos outros. Dos que fazem, dos que ainda vão fazendo, porque a nata do regime escapa ao crivo das avaliações, assalta os lugares de direcção por compadrio ou corrupção, dirige quem nunca soube fazer nada.

O país assiste. Tudo parece que funciona. Os dias passam sem cessar. É o nosso mundo. A nossa vida. Uma atracção ao abismo que parece estar tão próximo que poucos crêem se possa evitar. Mas tudo deve, a bem da modernidade, do estado de direito, e da modernidade do país, manter-se calado. A bem da nação... todos calados.

Kampus Libertatis, Pedro Alcobia da Cruz, 2010/02/05