Mostrar mensagens com a etiqueta Igreja. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Igreja. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de março de 2023

A IGREJA PORTUGUESA MANTÊM-SE LONGE DAS COUSAS DOS HOMENS

 

Podem me acusar de muitas coisas, utilizando a linguagem da própria Igreja, sou filho de Deus, decorrentemente imperfeito. O que me permite a mim, como aos padres, bispos e outros muitos que giram em instituições ligadas á Igreja Católica, a capacidade inesgotável de dizerem e fazerem asneiras. A diferença, e acabam por ser várias entre mim, cuja opinião vale pouco e cuja sabedoria é escassa, e esses doutos que falam e usam a palavra de Deus, é que eles sim, deviam ter palavra sábia, e não deveriam ter, como por vezes acontece comigo, dúvidas sobre a existência de Deus. Tal não lhes permitiria como também comigo ocorre, a navegação entre erros e atos criticáveis. E, como já comigo não acontece, a prática de crimes. Usando a palavra de Deus e a casa Dele, isso, na minha mais humilde opinião deveria determinar o afastamento dos prelados e seus companheiros de fé das sua intervenções com os crentes e religiosas, nalguns casos, talvez, a própria excomunhão. Invocar o nome de Deus em vão é pecado mortal. Se toda essa imensa gente peca, comete crimes hediondos, abusa de seres inocentes e, como antes tanto acontecia, abusava dos poderes do confessionário, será mesmo que Deus existe? Falo do Deus que a Igreja fala. Merecem-me inquietantes dúvidas. Será que há milénios a instituição que diz seguir e representar Cristo anda a enganar milhões de pessoas em todo o mundo? Porque não tenho dúvidas da existência de Deus, como não tenho dúvidas de que Cristo existiu e com a sua intervenção veio mudar o mundo e influenciar a vida na terra por tantos séculos. Esse ser maravilhoso seria exatamente o Deus que todos os homens anseiam existir para os guiar e levar à felicidade? E estes servidores da Igreja seriam razoavelmente servos de Deus ou simplesmente uns agentes do demo? Tudo pode especular-se. para mágoa de muitos, dúvidas e certezas de outros. No meio está a Igreja, sempre esteve no meio, com as mãos mergulhadas em pecado, violências e crimes. Até quando?






Alexandra Leitão, socialista ex-ministra

"Há aqui uma situação de encobrimento que é em si autónoma da própria responsabilidade objetiva e pode apontar para a responsabilidade subjetiva. De facto, foi um mau momento para a Igreja, para a hierarquia que encobriu. Podia ser um momento de viragem para a Igreja, não foi, não só não deu dois passos em frente, como deu dois passos atrás, acho que revitimizou aquelas vítimas"






Lobo Xavier, CDS, católico

"A informação à imprensa da Conferência Episcopal Portuguesa foi uma vergonha (...). Os bispos mal aconselhados..."






Catarina Martins, Bloco de esquerda

"Não consigo explicar como é possível, ontem, os bispos terem achado que podiam fazer aquela conferência de imprensa, que não tenham percebido o insulto enorme a todas as pessoas católicas deste país"






José Mendes, Diário de Notícias, 2023, 03, 05

"Não há outra forma de o dizer! A Conferência Episcopal Portuguesa e o Bispo José Ornelas devem estar a brincar com os portugueses. A conferência de imprensa de sexta-feira sobre os abusos sexuais sobre menores ficará na História como um dos pontos mais baixos, miseráveis mesmo, da Igreja em Portugal." 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

IMPERDOÁVEIS SÃO OS CRIMES PERPETUADOS POR GENTE QUE FALA EM NOME DE DEUS

COM A CRUZ NA MÃO DEMASIADOS HOMENS DA IGREJA COMETEM OS MAIORES SACRILÉGIOS. 

COMO ACREDITAR NA IGREJA? 

COMO ACREDITAR NESSES EXECRÁVEIS ABUTRES QUE VIVEM ESPEZINHANDO O AMOR QUE APREGOAM?

A PRÁTICA DESSA GENTALHA  PODE ASSEGURAR A EXISTÊNCIA DE DEUS?

A IGREJA CARREGA A RESPONSABILIDADE POR TER CAUSADO MAIS MORTES, MAIS SANGUE DERRAMADO, E MAIS VÍTIMAS ALGUMA VEZ VISTAS NA TERRA.

É IMPERDOÁVEL.






A Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja revelou esta segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2023, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, os seguintes factos:

  • ocorreram abusos sexuais de crianças por membros da Igreja, ou entidades com ela ligadas
  • conhecimento e encobrimento pela hierarquia religiosa
  • 4.815 vítimas
  • foram considerados 512 testemunhos válidos
  • 77% dos agressores eram padres
  • 52% e 47% vítimas do sexo masculino e feminino respetivamente
  • a média de idade do início dos abusos foi de 11,2 anos
  • incidência de abusos foi maior em Lisboa, Porto, Braga, Santarém e Leiria
  • os abusos eram expressivos em seminários ou instituições religiosas
  • 25 casos foram enviados ao Ministério Público
  • A grande maioria de casos prescreveu



"33. Este Relatório termina com um conjunto de Notas Finais e Recomendações. Quanto a notas finais, vale a pena referir algumas. Tema delicado, pouco estudado em Portugal, os abusos sexuais de crianças na Igreja tomaram uma visibilidade inédita com o Estudo. Havendo vias de comunicação abertas, seguras, independentes para «falar disso», aparecem testemunhos consistentes que são passíveis de tratamento científico. Os abusos sexuais de crianças na Igreja Católica portuguesa existiram no passado e existem ainda no presente. Portugal não é um caso à parte face a outros países. As 512 vítimas diretas põem-nos no encalço de, pelo menos, outras 4300 e, se pensarmos que os abusos aconteciam, na esmagadora maioria dos casos, muito mais do que uma vez sobre a mesma criança, levam-nos a muitos milhares de abusos praticados. Encontrámos, no tempo e no espaço, uma notável diversidade de contextos em que aqueles aconteceram. A Comissão captou a ponta de vários icebergs respeitantes a vertentes deste fenómeno, vividos em certos tempos históricos e lugares institucionais. Todas as modalidades de abuso descritas na atual Lei Penal foram encontradas na amostra, desde as menos invasivas às mais invasivas, embora estas acabassem por ser, relativamente a outras, predominantes. As modalidades do abuso não se distribuem estatisticamente ao acaso: dependem do tempo em que ocorreram, de lugares/espaços, 20 de perfis de vítimas e de suas famílias, de perfis de pessoas abusadoras, no caso esmagadoramente padres, e pertencentes a franjas etárias distintas. Num tratamento estatístico mais sofisticado, propusemos uma cartografia dos abusos. Algumas daquelas pessoas abusadoras referenciadas ainda permanecem em atividade eclesiástica. Em alguns contextos, os abusos tiveram carácter sistémico, isto é, ancoravam-se na estrutura de funcionamento de certas instituições da própria Igreja. Uma atitude clericalista, a ignorância ou a desvalorização dos direitos da criança, o fechamento aos olhares de fora, tudo ditou a perpetuação dos abusos e reforçou o silenciamento das vítimas. O carácter sistémico dos abusos não pode, porém, generalizar-se a toda a Igreja, pois diz respeito a uma minoria percentual da totalidade dos seus membros. Sistémica foi a ocultação desde logo ditada pelos próprios, bem como dos superiormente colocados na hierarquia que deles tiveram conhecimento. O trabalho dos meios de comunicação social para a divulgação do apelo a «dar voz ao silêncio», bem como algum jornalismo de investigação revelaram-se fundamentais para a adesão de pessoas vítimas ao Estudo. A visibilidade mediática crescente que o tema foi adquirindo ao longo dos meses contribuiu também, de certa maneira, para a correspondente tomada de consciência por parte de muitos bispos e outros membros da Igreja que, no início dos trabalhos da Comissão, pareciam mostrar- -se ainda alheados e distantes do problema." 

in Dar voz ao silêncio - Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja Católica Portuguesa - Relatório Final - Sumário Executivo - Lisboa, Fevereiro 2023

domingo, 29 de janeiro de 2023

LISBOA 2023 - JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE



No último "post" insurgia-me para a loucura quase insana, mas seguramente pouco ética, dos gastos absurdos que a Câmara Municipal de Lisboa, e possivelmente a de Loures, e ou outros, se propunham gastar para edificar um palco para as celebrações das Jornadas Mundiais da Juventude que vão ocorrer em Lisboa em Agosto, com a presença do Papa Francisco.

Mas depois de acompanhar o mais perto possível as polémicas e as informações que decorreram da publicidade desses gastos bilionários, apercebi-me mais uma vez da minha ingenuidade, ou, por algum défice proveniente da idade ou falta de inteligência, da aparente incapacidade de vivenciar a realidade.

Em bom rigor eu reclamava de trocos. O gasto que me parecia faraónico com o palco principal das comemorações, que ultrapassaria os 5 milhões de euros perdem-se num total que hoje se percebe, fora os inevitáveis desvios, para mais, tão característicos do que se passa com as obras públicas no nosso país, num total que rondará os 160 milhões de euros.

Falando rude, adoro confesso - e não tem mal, - Cristo foi de chicote em punho contra os vendedores do Templo - tudo isto é coisa de gente sem qualquer pingo de vergonha. E à vergonha acrescem outros pecados mortais, incompetência, desprezo pelos cidadãos, desnorte e baixa política.

Incompetência pois estarmos a seis meses das Jornadas e termos tudo atrasado, como se tivéssemos tomado a maior obra feita em Lisboa por muitas e muitas décadas, sem rigorosa e atempada programação. Todos os atrasos são catastróficos e correr atrás do prejuízo em empreendimento desta monta mostra ao mundo a displicência, a ligeireza, a irresponsabilidade como assumimos estas gigantescas responsabilidades.

Os cidadãos foram totalmente desprezados, mantidos longe de tudo o ia decorrendo, ou do que necessitando obra se não fazia, e dos custos, e dos projetos. E falam na participação dos cidadãos. Mais uma acha que ajuda a explicar o declínio das democracias, que só para tolos se designam de representativas. Se os cidadãos estivessem envolvidos todo este frenesim, discordâncias, desajustes, protestos poderiam não existir.

Há um desnorte entre as instituições e o que acontece. O presidente aparentemente pareceu-me concordar, inicialmente, pois, alegou na TV, o alter e tudo o demais que se edificava, ficaria como melhoramento a ser utilizado para o futuro. Depois, o assunto expandiu-se por todo o país e o povo, debaixo de larga crise e vítima de um governos com pífias políticas de ajuda face aos problemas levantados pela guerra e pela inflação, reclamou, refilou e protestou. Entende-se. Veio a correr o presidente falar na bondade e humildade do Santo Padre e que as obras deveriam espelhar isso, devendo ser mais espartanas. O presidente da Câmara de Lisboa que herdou este empreendimento e teve de correr atrás de uma letargia incompreensível, veio defender a obra, oq que ela representaria para o futuro, para a escolha da empreitada e para a decisão de que a contribuição da autarquia nunca iria ultrapassar os 35M€. A Igreja que de vetusta e sábia silenciava as coisas veio dizer que ia investir no projeto qualquer coisa como 80M€. Mais o Governo, a Câmara de Loures,... 

A nossa baixa política além de continuar a cavar um fosso cada vez maior entre os cidadãos e as instituições do estado e da administração pública, e o Governo, e os autarcas, e os deputados, e os tribunais e tudo o que gira para além do que é claramente privado e sem relações com a esfera pública, alimenta os extremismos, os correligionários do Chega, os seguidores e apologistas de uma direita tendencialmente personificada numa pessoa e sem pingo de democraticidade. Não é o Chega que ameaça a democracia, os portugueses e Portugal, ocorre exatamente o contrário. É o governo, a partidocracia, todos aqueles que se alimentam despudoradamente na manjedoura da máquina estatal, que fazem crescer os denominados populismos, extremismos. Fazem as asneiras e depois gritam aqui del-rei.

Tenho para mim que um evento desta natureza só tinha necessitado de organização, competência interligação entre as diversas entidades envolvidas no projeto e execução das obras e a abertura do que envolvia este empreendimento, seus custos, suas vantagens para o país e para a cidade de Lisboa e provavelmente o concelho de Loures. E bom senso.

E teríamos boa obra, executada a tempo e bem, sem querelas, sem atropelos e as pessoas poderiam compreender e aceitar, apesar dos maus tempos e da péssima governação, que este acontecimento vai dar projeção a Portugal, vamos ser visitados por um milhão e meio de estrangeiros, que iriam deixar avultados lucros as cofres do estado e de muitos portugueses.

Bastava competência, seriedade, rigor, informação, planeamento. Mas o país está à deriva, os portugueses não deixarão de continuar empobrecendo e o governo, com o apoio próximo do presidente, continuará a dizer que tudo iria bem não fosse a guerra da Ucrânia, a inflação, a Troika, o Passos Coelho, e tudo mais. Mas tudo vai bem, assegurará. 

Entretanto o Chega já declara que quer ministros, ou mesmo o primeiro-ministro. É chocante? Não, não e, é a resposta à incompetência, ao clientelismo, ao aumento da desigualdade, dos reformados que não tiveram a ajuda que o governo andou a distribuir, são as vítimas do regime que vêm o seu poder de compra a diminuir cada dia. Há que repensar o regime e tentar perceber se de fato a democracia que temos é recomendável ou urge introduzir nela profundas alterações.

Será que vamos a tempo? Tenho sérias dúvidas.